Caixa anuncia limitação complementar para financiamento imobiliário

Foto: Wikipedia – Sede Caixa Rib

SÃO PAULO – A Caixa Econômica Federal fará uma limitação complementar para financiamento imobiliário, diante da estendida sangria dos recursos da caderneta de poupança. A partir do dia 17, quem tem contrato de financiamento na Caixa, que vem bebendo desde o início do ano sucessivas medidas para limitar o acesso ao financiamento imobiliário, com recursos da poupança, através do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo , não vai poder mais beber outro crédito dessa linha, informou o banco federal em nota nesta quarta-feira. A Caixa em nota informou: “Essas operações encarnam somente 2,4 por cento da quantidade de financiamentos concedidos pelo banco”.

No caso de imóveis comerciais enquadrados no SFI, a ampliação vai ser maior, com a taxa balcão subindo de 12 para 14 por cento ao ano.Dentro de determinadas condições, incluindo a de que o tomador tenha conta e relacionamento com o banco, e de ser servidor público, a taxa pode ser de até 10 por cento anuais.De acordo com ele, a tendência é que aconteçam, e isso já é uma realidade, mais negociações entre bancos e consumidores. Já do lado das incorporadoras, segundo Duarte, os casos de inadimplência foram pontuais e o platô dos calotes está “normal”. “Em 2015, tivemos mais situações de incorporadoras pedirem mais prazo e renegociarem condição, mas essas companhias continuaram pagando. Isso não constitui inadimplência, mas ajuste de fluxo de caixa”, elucidou o presidente da Abecip.

Caixa Econômica Federal, também conhecida como Caixa Econômica ou somente Caixa é uma instituição financeira, sob a maneira de companhia pública da governo federal brasileiro, com patrimônio próprio e autonomia administrativa com sede em Brasília e com filiais em todo o território nacional.

O banco federal realçou ainda que o foco da instituição em 2015 são imóveis novos, com destaque para a habitação popular, operações do Minha Casa Minha Vida e recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço .

Segundo a Caixa, essas operações “de habitação popular não tiveram nenhuma mudança”.

Neste ano, o banco já aumentou duas vezes o custo cobrado dos empréstimos pelo Sistema Financeiro de Habitação , além de diminuir, de 90 para 80 por cento, a cota máxima de financiamento do imóvel no Sistema de Amortização Constante e 50 por cento pela tabela Price.

Um dos motivos dessa movimentação é a ampliação da taxa básica de juros Selic, que tem provocado migração de recursos da poupança para opções mais rentáveis, como títulos públicos.

Segundo o Banco Central, os resgates da poupança superaram os depósitos em junho pelo sexto mês consecutivo, levando a saída líquida no primeiro semestre a 36,15 bilhões de reais.

Dados preliminares do BC de julho mostram que os resgates líquidos no mês passado até o dia 30 totalizam 5,53 bilhões de reais, com a saída no acumulado do ano superando 40 bilhões de reais.

Adversárias como Banco do Brasil e Itaú têm aumentado os desembolsos para habitação, buscando se concentrar em segmentos de crédito tidos como de menor risco, enquanto a Caixa retarda no crédito imobiliário num momento de economia em retração.

Na terça-feira, o Itaú anunciou que o crédito imobiliário e o consignado foram os únicos a aumentarem no segundo trimestre ante os primeiros três meses de 2015.

Já o BB anunciou há duas semanas uma linha de crédito de 1 bilhão de reais para o segmento imobiliário, oferecendo financiar até 90 por cento de imóveis avaliados em até 400 mil reais.

A partir de 1º de outubro, a taxa efetiva total cobrada de não clientes da Caixa para compra de imóveis pelo Sistema Financeiro Habitacional passa de 9,45 para 9,90 por cento ao ano.